Beatriz Haddad Maia: “Independentemente dos êxitos que tenha, Portugal vai ser sempre muito especial”

Beatriz Haddad Maia vive a melhor fase da carreira e apesar do desaire precoce e surpreendente em Wimbledon tem razões para celebrar, uma vez que a curta temporada de relva lhe deu não um, não dois, mas três títulos WTA e a estreia no top 30 mundial. Mas a brasileira não esquece as importantes passagens por Portugal, país fundamental para o regresso aos grandes palcos e que faz com que a voz lhe falhe.

Por Gaspar Ribeiro Lança, em Wimbledon

“Para mim foi muito importante. Abriram-me as portas de uma maneira incrível desde o primeiro contacto que a Confederação Brasileira de Tênis teve com Portugal e com o presidente [Vasco Costa], deram-me convites e foram muito especiais. Sei que agora as pessoas estão a torcer por mim, a falar e a enviar mensagens, mas quem está realmente comigo é quem já estava quando ainda não tinha ganho os torneios, quando ainda não era top 30 do mundo e quando tudo era ainda muito mais difícil. A gente nunca sabe o que é que vai acontecer no futuro, então as pessoas que estão comigo desde o começo são as que mais valorizo e Portugal foi um momento muito intenso e muito especial que eu vivi com muito amor”, revelou esta terça-feira ao Raquetc, após a derrota por 6-4, 4-6 e 6-2 para Kaja Juvan na primeira ronda do torneio do Grand Slam britânico.

Chamada a recordar as várias passagens por solo luso entre 2020 e 2021, que resultaram em cinco títulos em seis finais, Haddad Maia acrescentou que “são semanas que vão sempre ficar guardadas e independentemente dos êxitos que tenha, Portugal vai ser sempre muito especial. Dou tanta importância a cada jogo que fiz em Portugal como a estes torneios.”

Quando eu voltei estava sem ranking e não sabia até onde ia chegar, ainda não sei, mas sempre tive força e sempre trabalhei no duro para as coisas acontecerem e acho que isso é o lado bom da vida: definirmos a nossa meta e desfrutarmos do processo, independentemente de alguns dias ou algumas derrotas serem mais difíceis e de nem sempre conseguirmos ser a 100% a pessoa que gostaríamos de ser. Acredito que se procurarmos a nossa melhor versão todos os dias, as coisas acontecem quando têm de acontecer“, acrescentou.

Sobre a derrota desta segunda-feira, a jogadora de São Paulo foi realista: “Primeiro do que tudo estou num Grand Slam, o que significa que qualquer jogo é muito duro. E na relva o jogo muda muito rapidamente e na maior parte das vezes ganha quem é mais agressivo e hoje ela foi nitidamente muito corajosa, muito mais agressiva, competiu melhor e aproveitou melhor os começos de jogada, desfrutou muito mais do que eu e saiu com a vitória. Estou desapontada comigo porque fiquei aquém nas coisas que podia controlar, como o meu serviço e a resposta. Estava a dar-lhe pelo menos dois pontos [por jogo] na resposta e isso deixou-a numa posição confortável. Para além disso, não consegui fazer a mesma força e ser competitiva como nos outros jogos, por isso ela mereceu. Foi muito mais competente do que eu.”

Depois de uma série de 12 vitórias consecutivas que resultou nos títulos em Nottingham (onde alcançou a dobradinha) e em Birmingham, Beatriz Haddad Maia despediu-se da relva com duas derrotas nos últimos dois encontros e encontrou semelhanças entre os dois resultados: “Cada vez mais as grandes jogadoras são agressivas, então eu tenho de ser agressiva para alcançar grandes objetivos e hoje não fui, por isso essa é a lição que retiro. Há jogos em que às vezes não competimos da mesma forma e eu hoje deixei muito a desejar. Não fui uma competidora e é isso que me está a doer, por isso o meu próximo objetivo é limpar o ‘conservadorismo’ que tive hoje e contra a Kvitova.”


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