Duelo de irmãs na final do Campeonato Nacional: mais história ou quebra de estatuto?

Sara Falcão/FPT

OEIRAS – Nova final do Campeonato Nacional Absoluto entre as irmãs Francisca Jorge e Matilde Jorge, as duas melhores portuguesas do ranking WTA em singulares e pares. Há muito em jogo, ou não fosse este um embate entre duas jogadoras que se conhecem desde o berço e passam todas as horas do dia juntas. A mais velha é hexacampeã nacional e a cada vitória soma novos recordes; a mais nova já perdeu três finais de sangue e está cansada de ver o mesmo desfecho. Quem sorrirá este sábado?

O percurso de ambas nas meias-finais foi bem distinto. Francisca ainda foi testada, e não o escondeu, frente à jovem promessa de 16 anos Angelina Voloshchuk, que até serviu para arrecadar o primeiro parcial. Só que Matilde prevaleceu em cerca de 3h15 frente a Inês Murta, num encontro entre as duas jogadoras que mais têm feito frente à mais velha das vimaranenses no ténis feminino português nos últimos anos.

A discrepância no término dos duelos influenciou a conversa com a hexacampeã nacional, apurada para a sétima final consecutiva, visto que aquando da entrevista posterior ao compromisso a outra meia-final ainda estava no início do terceiro parcial e qualquer uma podia sair por cima. Entre o desejo de vencer a que ficasse mais fatigada em jeito de brincadeira (mas a brincar, a brincar…), a tenista de 23 anos não foi com meias palavras e reforçou: “Quero revalidar o título!“.

Se o fizer, tornar-se-á na quinta mulher a vencer a competição por sete vezes, feito até agora conseguido por Leonor Peralta (a recordista, com 13 títulos), Sofia Prazeres (nove), Angélica Plantier (oito) e Peggy Brixhe (sete).

Matilde Jorge nunca esteve “tão nivelada”, apesar de constatar que a irmã ainda está “umas mudanças acima”. Por um lado está um ano mais velha e às portas do top 500 WTA (é 538.ª, já foi 529.ª), por outro, e sobretudo, desde a terceira final perdida, há cerca de 365 dias, conseguiu finalmente quebrar a malapata e derrotar a próxima adversária. E não o fez uma vez, mas sim duas e chega mesmo ao desafio nessa série de êxitos consecutivos.

Logo na semana seguinte à final “em que não estive presente”, Matilde Jorge somou o primeiro triunfo no mano a mano (quase literalmente) no Funchal e já esta temporada voltou a sorrir por último em Setúbal. Esses encontros, para a número um nacional, foram “atípicos”, o primeiro mentalmente por defrontar alguém que gosta muito com poucos dias de diferença, o segundo pelo forte vento que se fez sentir.

O certo é que a própria Matilde admite que agora que já bateu o enguiço pode “fazê-lo outra vez”. “Quero quebrar o estatuto dela e pôr o meu nome na lista” e deixa o aviso: “Estou melhor agora do que em todas as finais que jogámos e tenho armas para jogar contra ela”.

O alerta não vem só de um lado. “Desta vez estou mais focada e estou a sentir-me a jogar bom ténis e agora passa por conseguir aplicá-lo. Não posso encarar como a mana do outro lado porque as finais ganhem-se, não se jogam”.

Manas, manas, negócios à parte, portanto. Mas uma coisa é garantida: com reforço de estatuto ou com primeiro triunfo na galeria eterna, a relação entre ambas não sofre alterações no pós-jogo, nem sequer nas horas que antecedem a quarta decisão entre ambas na prova rainha do ténis português.

A final feminina está marcada para as 10 horas na nave dos campos cobertos do Complexo de Ténis do Jamor. E o título ficará em casa, literalmente.

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