Estreia vitoriosa no “melhor torneio do mundo” deixa Borges e Cabral radiantes e com fome de mais

Nuno Borges e Francisco Cabral estrearam-se de forma histórica em quadros principais de pares de torneios do Grand Slam e o triunfo em Wimbledon fez as delícias da melhor dupla portuguesa da atualidade — e já uma das melhores da história —, com os dois a quererem mais agora que já sabem o que é faz parte dos maiores torneios do mundo.

“Foi um encontro longo, longo, longo (risos). Os pares habitualmente resolvem-se mais cedo, mas ainda bem que hoje tivemos mais para jogar, porque estávamos a perder por dois sets a um”, admitiu, entre sorrisos, Nuno Borges numa referência ao encontro à melhor de cinco sets — uma característica exclusiva de Wimbledon, o único local onde a variante de pares ainda é disputada neste formato.

“Senti que tínhamos tudo e mais alguma coisa para dar a volta e fomos aprendendo, aprimorando os detalhes e no fim achei que merecemos muito, porque os últimos dois sets foram claramente a nosso favor. Estou muito contente por termos passado uma ronda e termos mais uma oportunidade de entrar em campo”, acrescentou o maiato, que nos singulares perdeu na primeira ronda depois de ser repescado para o quadro principal como lucky loser.

Se para Nuno Borges este foi o nono encontro em torneios do Grand Slam (jogou quatro de singulares em Roland-Garros e quatro de singulares em Wimbledon), para Francisco Cabral foi o primeiro: o portuense planeava ir a jogo na variante de pares em Paris, mas foi deixado pelo dinamarquês Holger Rune e teve de esperar mais um mês (e alguns dias) para realizar o sonho de criança.

Acredito que as coisas acontecem sempre por alguma razão e que nada é 100% por acaso. É claro que fiquei triste, mas quis acreditar que não era para ser ali e que passado um mês ia jogar com o Nuno e ia correr bem. Quanto a lista saiu voltei a ficar triste porque o cut foi claramente mais forte do que no ano passado e mesmo não havendo pontos ficámos fora por dois lugares, mas quando soube que tínhamos entrado fiquei extremamente contente e marquei tudo para vir. Mesmo que hoje tivessemos perdido estava contente por ter a oportunidade de estar no melhor torneio do mundo e o meu preferido. É um orgulho enorme e claro que termos ganho me deixa ainda mais contente e motivado”, explicou.

Mais experiente graças à variante de singulares, Borges acrescentou: “Eu até comparei a situação dele à minha da Austrália (testou positivo à covid-19 no dia em que ia disputar a primeira ronda do qualifying, que assinalaria a estreia em torneios do Grand Slam). Na altura houve muita gente a enviar-me mensagens de pena, mas eu não fiquei assim, de todo, e até fui quase eu a ter de confortar as pessoas (risos). Não estamos aqui para jogar só um, mas vários, e no caso dele disse-lhe que este tipo de coisas acontece a toda a hora e que se não era ali ia ter outra oportunidade um mês depois. Se tudo correr bem pode jogar dezenas destes torneios, por isso não era por marcar presença em Roland-Garros que ia fazer a diferença.”

Sobre o encontro, Francisco Cabral admitiu que o facto de o encontro se disputar à melhor de cinco sets lhe deu tranquilidade: “Depois de perder o segundo set sabia que ainda havia muito ténis para jogar, acho que a única diferença foi a falma que me deu para lidar com o resultado. Senti que o encontro era longo e que tínhamos condições para dar a volta. O primeiro e o segundo set foram um bocadinho mais feios porque estávamos todos à procura de sensações, mas a partir do terceiro, em que acabámos por levar dois breaks depois de estarmos break acima, começámos a jogar a um grande nível e felizmente acabámos muito bem.”

Em relação à experiência que é fazer parte de um torneio do Grand Slam, os dois jovens portugueses afirmaram, em uníssono, tratar-se de “um mundo à parte”.

“Isto é outro mundo. É muita gente a querer ver e também há muito stress. Eu achava que um torneio do Grand Slam ia ser só diversão, diversão, diversão e espetáculo, mas a gestão e a logística são muito mais exigentes porque aqui os dias são muito longos. Nos Challengers é tudo mais pequeno, por isso as coisas resolvem-se. Às vezes não marcamos campo e lá se arranja um, enquanto aqui há muitos courts, mas há ainda mais jogadores, portanto toda a gestão é difícil. Essa tem sido a grande diferença para mim, mais ainda do que a questão dos cinco sets. E depois há os challenges, um juíz de linha em todas as linhas, os apanha-bolas que são ultra profissionais, é tudo muito diferente — até o balneário, é tudo ‘bonitinho’ e isto são coisas que nos fazem apreciar e que nos dão motivação para querer estar neste tipo de torneios”, contou Nuno Borges.

“Eu faço das palavras do Nuno as minhas e vou sair daqui a querer trabalhar cada vez mais porque é aqui que quero estar. Para mim este é o melhor torneio do mundo, é o meu preferido desde pequeno e o facto de me estrear aqui, e não em Roland-Garros, até me está a saber melhor, porque foi aqui que sempre sonhei jogar”, acrescentou Francisco Cabral, que ainda teve tempo para reagir aos elogios que recentemente lhes foram dirigidos por Sadio Doumbia e Fabien Reboul, franceses que depois de conquistarem o Oeiras Open 3, no domingo, os apontaram como possíveis jogadores do top 10 e campeões de um torneio do Grand Slam.

“É cedo demais para apontar a um Grand Slam, mas acredito no nosso potencial. Sei perfeitamente que a prioridade do Nuno são os singulares e por isso temos vindo a jogar cada vez menos torneios juntos, mas sinto que quando jogamos e jogamos bem podemos ganhar a qualquer dupla. Não vejo assim nenhuma dupla contra quem eu diga claramente que não temos hipóteses, isto se jogarmos bem, claro, porque são todos bons e podemos perder com qualquer dupla. Mas sinto que se jogarmos bem podemos causar muitas dificuldades a todos”, finalizou o portuense, atual número 67 mundial de pares.


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